Atualizado em: 14/01/2026
Entre as tecnologias que tentam aproveitar a energia das marés (energia maremotriz) e as correntes do oceano, as turbinas subaquáticas chamam atenção por ficarem instaladas abaixo da superfície e transformarem a energia do fluxo de água em eletricidade. No Brasil, a startup TidalWatt ganhou visibilidade com um conceito de turbina hidrocinética compacta voltada para correntes marítimas.
É importante tratar os números com cautela: boa parte das métricas divulgadas publicamente (potência, fator de capacidade e comparação com eólicas) aparece como estimativa do fabricante em materiais e entrevistas de 2023, e não há, até 2026, validação independente amplamente publicada nem registro de operação comercial no Brasil.
De acordo com Maurício Queiroz, criador e diretor executivo da startup, quando a fonte de energia é previsível e estável, como as correntes oceânicas em pontos específicos, ela pode aumentar a segurança energética. Ainda assim, “previsível” não significa “sempre disponível”: a produção depende de velocidade mínima de corrente, janela de maré, manutenção subaquática e licenciamento ambiental.

O oceano (e também alguns rios com corrente forte) pode ser uma energia limpa e relativamente previsível em determinados trechos, mas não é a única fonte renovável “segura”: solar, eólica, biomassa e hidrelétrica também compõem a transição energética. Na prática, mapas de correntes e dados oceanográficos ajudam a encontrar locais promissores, porém a viabilidade depende de medições no ponto (corrente média, sazonalidade, profundidade e fundo marinho).
A TidalWatt descreve seus produtos como geradores que captam energia hidrocinética ligada às correntes subaquáticas. Em comparação com turbinas eólicas, a ideia é usar a maior densidade da água (em relação ao ar) para extrair energia com rotores menores — mas a eficiência real e o desempenho anual variam muito conforme o local e o projeto, e não dá para assumir “3x mais energia” como regra sem dados operacionais auditados.
Como funciona a turbina subaquática?
Segundo entrevistas atribuídas à empresa, uma turbina subaquática de cerca de 3 metros de diâmetro é apresentada como capaz de atingir até 5 MW em uma velocidade de corrente em torno de 1,87 nós (aprox. 0,96 m/s) — comparação frequentemente feita com uma turbina eólica de 180 metros de diâmetro. Esses valores devem ser entendidos como especificação/estimativa do fabricante (2023), e não como resultado consolidado de usina em operação no Brasil.
A empresa também menciona planos de instalar geradores onde a velocidade média da corrente ultrapasse 1 nó. Sobre o fator de capacidade (quanto a turbina realmente gera ao longo do tempo), há divulgação de uma faixa de 70% a 95% — novamente, estimativa do fabricante, sem comprovação pública independente até 2026. Usando um cenário teórico de 5 MW e fatores de capacidade elevados, chega-se a uma ordem de grandeza capaz de abastecer algo como 20 a 22 mil residências (considerando consumo médio residencial em torno de 240 kWh/mês, dado de referência da ANEEL em 2025). Na prática, essa conta muda bastante com a corrente real do local, perdas elétricas, disponibilidade e restrições operacionais.
A proposta é trazer vantagens como baixa interferência visual e sonora e potencial de uso em rios, com menor impacto que grandes barragens — mas, por ser um equipamento submerso, há desafios relevantes: corrosão marinha, incrustação biológica (biofouling), logística de manutenção e necessidade de embarcações/mergulho ou ROVs.
A tecnologia é frequentemente relacionada a Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) — como ODS 7 (energia limpa e acessível), 13 (ação climática) e 14 (vida na água). Ainda assim, o “impacto baixo” precisa ser comprovado caso a caso, com estudos e monitoramento, principalmente sobre fauna, ruído subaquático e rotas de navegação/pesca.
Contexto no Brasil (2025-2026)
Até 2026, a geração maremotriz/hidrocinética no Brasil segue sem capacidade comercial instalada em escala relevante, apesar do potencial técnico apontado em estudos (EPE). No caso da TidalWatt, a comunicação pública indica fase de desenvolvimento/protótipo e não há confirmação pública de unidades operando comercialmente no país. Além do desafio tecnológico, projetos desse tipo exigem outorga/autorizações e licenciamento (ANEEL/IBAMA e órgãos locais), além de conexão à rede e estudos ambientais. No cenário internacional, o custo nivelado (LCOE) de tecnologias oceânicas tende a ser mais alto que eólica e solar, especialmente fora de projetos-piloto.
Comparativo rápido: turbina subaquática vs outras fontes
| Tecnologia | O que pesa a favor | Limitações (contexto 2025-2026) |
|---|---|---|
| Turbina subaquática (hidrocinética/maremotriz) | Boa previsibilidade em pontos com corrente forte; baixa interferência visual; rotor menor | Sem mercado consolidado no Brasil; manutenção submersa; licenciamento; LCOE internacional estimado mais alto (IRENA 2025) |
| Eólica (onshore/offshore) | Mercado maduro; custos competitivos; cadeia de fornecedores | Intermitência; offshore exige CAPEX alto e licenças complexas |
| Solar fotovoltaica | Menor custo e ampla oferta; instalação rápida | Geração diurna/intermitente; exige área e inversores |
Mini-tabela: marcas e status no Brasil
| Marca/linha | Status no Brasil (2025-2026) | Observação |
|---|---|---|
| TidalWatt | Planos / desenvolvimento (sem venda pública confirmada) | Informações públicas são majoritariamente de 2023; verificar diretamente com o fabricante |
| Outras turbinas hidrocinéticas oceânicas (internacionais) | Importação possível (caso a caso) | Depende de integradores, logística offshore e licenciamento; sem fornecedores amplamente divulgados ao consumidor final |
Custo real no Brasil: o que entra na conta (e o que ainda não dá para cravar)
Não existe, até 2026, uma tabela pública consolidada de preço da TidalWatt no Brasil. Para projetos similares no exterior, análises setoriais (ex.: IRENA, 2025) colocam custos de equipamentos oceânicos em patamares altos, e uma referência ampla usada em estudos é algo como R$ 5 a R$ 10 milhões por unidade na faixa de megawatts (ordem de grandeza, variando muito por especificação, câmbio e escopo) — sem representar cotação no Brasil.
Em um piloto brasileiro, além da turbina, normalmente entram:
- Peças e engenharia: fundação/ancoragem, cabos submarinos, conversores, transformador, sistema de monitoramento.
- Mão de obra e logística: embarcações, mergulho/ROV, guindastes, instalação e comissionamento.
- Homologação e licenças: estudos ambientais, autorizações/outorga (ANEEL) e licenças (IBAMA/órgãos estaduais/municipais), além de requisitos de conexão à rede (distribuidora).
Como referência de competitividade, o LCOE de tecnologias hidrocinéticas/maremotrizes em estágio inicial pode ficar em faixa superior à eólica e solar; estimativas internacionais citam algo como R$ 400 a R$ 800/MWh (IRENA, 2025), dependendo do local e maturidade do projeto. Use isso como intervalo indicativo, não como valor fechado para o Brasil.
💡 Quer entender melhor as diferenças entre energia das marés, ondas e turbinas hidrocinéticas?
Reunimos conceitos, tipos de tecnologia, vantagens, limitações e o que faz sentido (ou não) no Brasil em 2026:
→ Energia maremotriz: guia completo
Qual capacidade da turbina subaquática?
De acordo com informações divulgadas pela TidalWatt em 2023, uma turbina subaquática de ~3 m de diâmetro é apresentada como capaz de chegar a cerca de 5 MW a 1,87 nós. Esses números devem ser tratados como estimativa/especificação do fabricante, sem validação independente amplamente publicada no Brasil até 2026.
Esse modelo é vendido no Brasil hoje?
Até 2026, não há confirmação pública de venda em escala ou instalações comerciais da TidalWatt no Brasil. O que existe em comunicação aberta indica fase de desenvolvimento/protótipo e planos de implantação. Para orçamento e disponibilidade, o mais seguro é consultar diretamente o fabricante e checar exigências de licenciamento e outorga.
Como fazer a manutenção da turbina subaquática?
Em geral, a manutenção envolve inspeções submersas (mergulho ou ROV), limpeza de incrustação biológica (biofouling), verificação de corrosão, rolamentos/vedações e integridade de cabos e ancoragens. Apesar de compactas, turbinas subaquáticas podem exigir logística especializada (embarcação e janela de mar) e paradas programadas.
Se você quer aprofundar o tema e comparar onde a energia do mar faz sentido (marés, ondas e correntes) — com prós, contras e limitações reais — siga para o nosso guia: energia maremotriz.