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Energia solar brasileira supera R$ 300 bilhões em investimentos acumulados em 2026

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Painel solar em telhados urbanos brasileiros com sobreposição de texto R$ 300 bilhões investidos

Imagem: EkkoGreen

Publicado em 20/05/2026 | Equipe Energia Ekko Green | Fonte: ABSOLAR / Agência Brasil


Os investimentos acumulados em energia solar no Brasil ultrapassaram R$ 300 bilhões em 2026, somando grandes usinas e sistemas de geração distribuída. O setor tem 68,6 GW instalados, responde por 25,3% da matriz elétrica e gerou mais de 2 milhões de empregos na última década, segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR). O Brasil é o sexto maior mercado solar do mundo.


O marco: o que aconteceu e quem anunciou

No dia 1º de maio de 2026, a ABSOLAR confirmou que os investimentos acumulados em energia solar no Brasil superaram a marca de R$ 300 bilhões. Os dados foram divulgados pela Agência Brasil e cobrem tanto usinas de grande porte quanto sistemas de geração distribuída (telhados, pequenas propriedades e comércio).

É um número que representa quase duas décadas de crescimento de uma fonte que, em 2012, praticamente não existia no país.

A ABSOLAR destacou que a presença solar já alcança mais de 5 mil municípios brasileiros. Isso significa que a energia do sol chegou à maioria das cidades do país, não apenas às capitais e aos polos industriais.

Além dos investimentos, o setor gerou R$ 95,9 bilhões em arrecadação pública desde seu início, conforme dados da ABSOLAR divulgados pela Agência Brasil.


Os principais números do setor (conforme ABSOLAR, maio de 2026)

Indicador Valor
Investimentos acumulados mais de R$ 300 bilhões
Capacidade instalada 68,6 GW
Participação na matriz elétrica 25,3% (2ª maior fonte)
Municípios com energia solar mais de 5.000
Empregos gerados mais de 2 milhões
Arrecadação pública gerada R$ 95,9 bilhões
Posição global 6º maior mercado solar

Fonte: ABSOLAR via Agência Brasil, 01/05/2026.


A trajetória do setor: como chegamos aqui

O crescimento da energia solar no Brasil foi constante e, em alguns anos, acelerado. A queda no custo dos painéis fotovoltaicos no mercado global foi o principal motor. Entre 2010 e 2025, o preço médio de um sistema residencial caiu mais de 90% no Brasil.

A tabela abaixo mostra a evolução do setor nos últimos anos, com base em dados da ABSOLAR e da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL):

Ano Capacidade instalada (GW) Investimentos acumulados (R$) Participação na matriz elétrica
2022 ~24 GW ~R$ 140 bilhões ~11%
2023 ~38 GW ~R$ 200 bilhões ~16%
2024 ~57 GW ~R$ 255 bilhões ~21%
2025 ~68,6 GW >R$ 285 bilhões ~24%
2026 68,6 GW (mai/26) >R$ 300 bilhões 25,3%

Fontes: ABSOLAR, ANEEL, Agência Brasil. Dados de 2022-2024 são estimativas de referência baseadas em séries históricas do setor.

O setor chegou à segunda posição na matriz elétrica brasileira. Só perde para a energia hidrelétrica.

Para quem pensa em financiar um sistema solar, este momento é o melhor ponto de entrada da história do produto no Brasil: preços no menor nível histórico e legislação mais clara do que em 2022.


O que impulsionou esse crescimento

Três fatores combinados explicam o avanço:

1. Queda de preço dos equipamentos

Um sistema solar residencial de 4 kWp, suficiente para uma casa de consumo médio, custava R$ 30 mil há dez anos. Hoje, o mesmo sistema sai por R$ 12 mil a R$ 18 mil, dependendo da região.

2. A Lei 14.300 de 2022 (Marco Legal da Geração Distribuída)

A lei criou regras mais claras para quem instala painéis e vende ou troca energia com a distribuidora. Com previsibilidade jurídica, bancos e financeiras passaram a oferecer crédito mais barato para instalação. Veja as opções disponíveis em financiamento de energia solar.

3. Isenção de ICMS para sistemas fotovoltaicos

A maioria dos estados brasileiros adotou isenção de ICMS na aquisição de sistemas de energia solar, reduzindo o custo total entre 5% e 15%, dependendo do estado.


Qual estado lidera: o ranking solar brasileiro

A energia solar não se concentra em uma única região. O Brasil tem dois rankings distintos: o de grandes usinas e o de geração distribuída (telhados).

Geração centralizada (grandes usinas solares)

Estado Capacidade instalada
Minas Gerais 8,6 GW
Bahia 2,9 GW
Piauí 2,4 GW

Fonte: ABSOLAR via Agência Brasil, maio de 2026.

Minas Gerais lidera com folga por conta da combinação de irradiação solar alta, terrenos planos disponíveis e proximidade com centros de consumo.

Geração distribuída (telhados e pequenas propriedades)

Estado Capacidade instalada
São Paulo 6,5 GW
Minas Gerais 5,8 GW
Paraná 4,2 GW

Fonte: ABSOLAR via Times Brasil, maio de 2026.

São Paulo lidera nos telhados solares por ter a maior base de consumidores residenciais e comerciais do país. Minas aparece nos dois rankings ao mesmo tempo, o que mostra a força do setor no estado.

O Brasil também é referência entre as energias renováveis no mundo, com a fonte solar como um dos motores dessa posição.


O problema que acompanha o sucesso

Nem tudo é avanço linear. O próprio relatório da ABSOLAR aponta um ano de desaceleração em 2025.

A potência adicionada à rede caiu 25,6% entre 2024 e 2025, segundo a Agência Brasil. Em números absolutos: o setor adicionou 15,6 GW em 2024 e apenas 11,6 GW em 2025.

Os dois problemas principais são técnicos, não de demanda.

O primeiro é o curtailment: usinas solares produzem energia, mas são obrigadas a cortar geração porque a rede não consegue absorver tudo. O gerador perde receita sem compensação.

O segundo é a inversão de fluxo de potência nas redes de distribuição. Redes projetadas para levar energia das usinas até os consumidores agora recebem energia de volta, o que causa instabilidade.

Bárbara Rubim, presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR para o período 2026-2030, disse em sua posse em 7 de maio: “Curtailment, inversão de fluxo de potência e discussões tarifárias mostram que o sistema não foi projetado para acompanhar a velocidade com que as renováveis cresceram. Mas esses não são sintomas de fracasso. São sintomas de um sucesso que chegou mais rápido do que as estruturas conseguiram acompanhar.” (Fonte: ABSOLAR, 07/05/2026)

A solução técnica principal passa pelo armazenamento de energia. O papel das baterias BESS para o sistema elétrico é central nesse debate: usinas que armazenam o excedente evitam o curtailment e equilibram o fluxo na rede.


O que vem a seguir: metas para 2030

A ABSOLAR e o Ministério de Minas e Energia têm trabalhado em duas frentes para destravar o crescimento.

A primeira é a regulamentação do armazenamento de energia no REIDI (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura). Baterias de armazenamento conectadas a usinas solares resolvem boa parte do problema do curtailment: a usina guarda a energia excedente e entrega quando a rede precisa.

A segunda é a expansão da infraestrutura de transmissão. Novos leilões de transmissão previstos para 2026-2027 devem abrir caminho para que usinas no Nordeste e no Centro-Oeste entreguem energia para o Sul e o Sudeste com mais eficiência.

O Brasil registrou recordes de energia renovável em anos recentes e a meta continua ambiciosa: 100 GW de capacidade solar instalada até 2030. Estamos em 68,6 GW agora. São 31,4 GW em quatro anos, em um ritmo que o setor já demonstrou ser capaz de manter.


O que isso muda para o consumidor

Para quem ainda não tem painéis solares, o momento atual é o melhor ponto de entrada da história do produto no Brasil.

Os preços estão no nível mais baixo que já chegaram. A legislação está mais clara do que em 2022. E o retorno médio do investimento, dependendo do estado e do consumo, fica entre 4 e 7 anos para um sistema residencial.

Quem instala hoje se beneficia de energia sem custo por 20 a 25 anos, que é a vida útil média de um painel fotovoltaico. Quem avalia incluir bateria solar residencial ao sistema consegue ainda mais autonomia e proteção contra apagões.

O que você pode fazer agora: peça orçamentos a pelo menos três instaladoras da sua cidade. Compare o custo do sistema com o valor médio da sua conta de energia nos últimos 12 meses. A equação se resolve rápido.


Perguntas frequentes sobre energia solar no Brasil

Vale a pena instalar energia solar agora, em 2026?
Sim. Os preços de sistemas fotovoltaicos estão no menor nível histórico no Brasil. O payback médio para sistemas residenciais é de 4 a 7 anos, com vida útil dos painéis de 20 a 25 anos. Quem instala em 2026 ainda aproveita as condições da Lei 14.300.

Quando o painel solar vai ficar mais barato no Brasil?
O preço já caiu mais de 90% entre 2010 e 2025, conforme dados de mercado. Novas quedas são possíveis, mas menores e mais lentas. Especialistas do setor indicam que esperar por preços ainda mais baixos pode custar mais em contas de energia do que o desconto obtido.

Quais estados têm o melhor retorno para energia solar?
O Nordeste tem a maior irradiação solar do país (CE, PI, BA), o que acelera o retorno. Mas SP, MG e PR têm os maiores mercados em volume instalado porque combinam boa irradiação com alto consumo. Simule pelo portal ABSOLAR ou solicite orçamento local.

A queda de 25,6% na adição de capacidade em 2025 é motivo de preocupação?
Para o setor como um todo, sim, porque representa menos empregos e menos investimento em um único ano. Para o consumidor, não: os preços caíram e a oferta de instaladoras e equipamentos está alta. A queda foi no ritmo de novos projetos de grande porte, não na demanda residencial.



Atualizado em maio de 2026


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