Com o lema “Hospital no jardim, jardins no hospital” como foco do programa de projeto, o hospital Khoo Teck Puat, em Singapura, tornou-se uma referência mundial em biofilia aplicada à saúde. Esse conceito dialoga diretamente com os princípios de sustentabilidade, cada vez mais adotados também por hospitais brasileiros.
Estudos científicos atualizados até 2025 indicam que a integração de luz natural, ventilação natural e áreas verdes pode reduzir o estresse de pacientes e profissionais de saúde em cerca de 15% a 37% e encurtar o tempo médio de internação em 0,5 a 1,2 dia, dependendo do perfil clínico. Os resultados variam conforme o projeto e a operação do hospital.
Além de melhorar a experiência do paciente, hospitais biofílicos tendem a reduzir custos operacionais, principalmente com energia elétrica, climatização artificial e uso de medicamentos analgésicos. A seguir, entenda como esse conceito foi aplicado no KTPH e como ele vem sendo adaptado à realidade brasileira.
Conheça o Khoo Teck Puat

O Khoo Teck Puat Hospital (KTPH) é um hospital público localizado em Singapura. O projeto teve início em 2005 e foi desenvolvido pela CPG Corporation, sendo inaugurado após cerca de cinco anos de planejamento e construção.
A principal exigência era que o edifício não tivesse a aparência tradicional de um hospital, mas sim um ambiente completamente novo, integrado à paisagem. A proposta se baseou em evidências científicas que associam o contato com a natureza à melhora do bem-estar emocional e físico, sem prometer “cura garantida”, mas sim melhores condições de recuperação.
O hospital é composto por três blocos de atendimento, todos com vista para um pátio central. Nesse pátio, mais de 70% das espécies vegetais são nativas da região, incluindo espécies raras. Há ainda uma horta e um pomar com cerca de 130 espécies frutíferas, cujos alimentos orgânicos são utilizados nas refeições dos pacientes.
Comunidade e o relacionamento com o hospital
Outro objetivo do projeto foi aproximar a comunidade do hospital. O KTPH promove atividades abertas, como oficinas de artesanato, palestras sobre saúde preventiva e aulas de culinária saudável, reforçando o papel do hospital como equipamento urbano integrado ao bairro.
O programa “Share a Pot”, voltado para a terceira idade, tornou-se um ponto de encontro social. Nele, os participantes compartilham refeições leves e realizam exercícios de baixo impacto, prática cultural comum na região e associada à promoção da saúde mental.
O Hospital Khoo Teck Puat e seu conceito inovador e sustentável
Desde a concepção, o projeto priorizou soluções sustentáveis. O edifício utiliza ventilação natural passiva, otimizada pelo layout arquitetônico e pela orientação solar, reduzindo a dependência de sistemas de ar-condicionado em cerca de 70% das áreas comuns.
A iluminação natural é garantida por grandes aberturas e claraboias, o que reduz o uso de luz artificial durante o dia. Complementarmente, o hospital conta com geração de energia solar, responsável por aproximadamente 50% da eletricidade consumida, segundo dados institucionais.
Essas estratégias renderam ao hospital prêmios internacionais, incluindo o Universal Design Awards, que reconhece projetos com excelência em acessibilidade e sustentabilidade ambiental.
O lançamento do livro “Um espaço para cura”
Em 2013, o hospital lançou o livro “Um espaço de cura: criando a biodiversidade no hospital Khoo Teck Puat”, que documenta a estratégia de integração entre arquitetura, paisagismo e saúde.
Com 76 páginas, a publicação descreve jardins, terraços e áreas verdes, explicando como esses espaços contribuem para a redução do estresse e para a criação de ambientes mais humanizados, sempre com base em observações e estudos, e não em promessas absolutas de cura.
Um panorama geral do Hospital Khoo Teck Puat

O hospital possui 550 leitos distribuídos em uma área de aproximadamente 3,5 hectares. Cerca de 70% do piso conta com ventilação natural e metade da demanda energética é suprida por energia solar, números que permanecem como referência em 2026.
As áreas subterrâneas concentram triagem, cirurgias e tratamentos, enquanto as áreas de internação se voltam para a lagoa Yishun, oferecendo vista para a paisagem natural tanto aos pacientes quanto às equipes de enfermagem.
Essa combinação de arquitetura, natureza e eficiência operacional tornou o KTPH um case internacional amplamente estudado por arquitetos e gestores hospitalares.
Contexto no Brasil (2025-2026)
No Brasil, a biofilia hospitalar vem ganhando espaço sobretudo em grandes centros. O Hospital Israelita Albert Einstein (SP) e a Rede Sarah Kubitschek (DF) utilizam jardins terapêuticos, iluminação natural e ventilação cruzada como parte do cuidado ao paciente. Hospitais federais administrados pela Ebserh também ampliaram áreas verdes e práticas sustentáveis entre 2024 e 2026.
Estimativas de mercado indicam que um retrofit biofílico (jardins internos, luz natural e melhorias de ventilação) custa entre R$ 500 e R$ 1.500/m², com payback típico de 5 a 8 anos, considerando economia de energia e benefícios operacionais. Valores são estimados e variam conforme projeto e região.
Atualizado em janeiro de 2026. Dados baseados em estudos científicos e informações institucionais; resultados podem variar conforme o hospital.
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