Utensílios de Bambu e Cana: Decomposição em 60 Dias

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Conteúdo atualizado em janeiro de 2026.

Que a maioria dos objetos descartáveis — ​​como copos, pratos e recipientes para viagem — são uma grande fonte de lixo, todos nós já sabemos. Ainda que existam recipientes ecológicos como alternativa, estes costumam ser mais caros, o que acaba se tornando um sério agravante para parte das pessoas.

Em função disso, uma cientista da Northeastern University, nos Estados Unidos, encontrou uma excelente solução: projetou talheres e demais utensílios que podem se decompor naturalmente em 60 dias. Todos eles são feitos de resíduos de cana-de-açúcar e bambu e, por isso, são mais acessíveis economicamente do que o plástico compostável normal.

Entendendo Como Bambu e Cana-de-Açúcar se Decompõem

decomposição utensílios de bambu
Ruby Wallau/Northeastern University

Hongli Zhu, professora assistente da Northeastern University e coautora do artigo em que se encontra o estudo, comenta que quando veio aos EUA pela primeira vez, ficou surpresa com a quantidade de embalagens descartáveis ​​nas lojas, nos restaurantes e nas latas de lixo.

Por este motivo, a pesquisadora (junto a sua equipe), passou a se dedicar na busca por uma alternativa sustentável e barata ao plástico comum. Decidiram começar seus testes pelo bagaço da cana, que é um material barato e ecológico.

“Fizemos um híbrido, misturando as fibras mais curtas do bagaço, com as fibras longas de bambu de forma a aumentar a resistência do material”, comenta. 

Dessa forma, a polpa das duas fibras foi moldada em pratos, tigelas e outros objetos em altas temperaturas. O calor mobilizou parte da lignina nas fibras resultando em dois efeitos: atuar como uma ligação adesiva entre as fibras e também reter suas características de repelência de água.

decomposição em 60 dias
Ruby Wallau/Northeastern University

Quando testado com água fervente, o material permaneceu intacto por algumas horas (o que não é tão longo quanto o plástico, mas para fins práticos, foi o tempo suficiente). Quando enterrado no solo, o material se decompôs completamente em torno de 3 a 6 meses de duração. 

Ao contrário do plástico, que precisa ser reciclado e requer compostagem industrial a temperaturas acima de 60ºC, os itens de bambu e cana-de-açúcar podem ser enterrados diretamente no solo. Além disso, a composição do “plástico” alternativo leva também AKD (Dímero Alquil Ceteno) – um produto químico seguro para a indústria alimentícia – para aumentar a resistência ao óleo e à água.

Experiência de Sucesso

utensílios
Ruby Wallau/Northeastern University

O resultado, dizem os pesquisadores, é uma embalagem limpa, sustentável e forte com um processo de fabricação que emite 97% menos emissões de CO2 do que a produção de plástico de poliestireno e 67% menos do que produtos de papel e PLA, um plástico biodegradável comum. 

O custo também é mais barato que o plástico biodegradável, já que seu processo de fabricação utiliza resíduos considerados “sem utilidade” (o que Zhu provou ser completamente o oposto). O próximo passo é baixar ainda mais para competir com os copos plásticos tradicionais. “Quando pensamos em alternativas de plástico, devemos pensar no custo. No final, queremos que o cliente possa comprá-lo. O custo precisa ser competitivo com o plástico”, finaliza.

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