Atualizado em janeiro de 2026. O plástico está presente em praticamente todos os aspectos do nosso cotidiano no Brasil — de embalagens de alimentos e produtos de limpeza a itens de construção civil. Em um país que gera milhões de toneladas de resíduos por ano, entender os tipos de plástico é um passo essencial para o consumo consciente e para a economia circular.
Apesar de existirem dezenas de polímeros diferentes, seis resinas concentram a maior parte do consumo e da reciclagem no Brasil. Saber identificá-las ajuda a separar corretamente, aumentar as chances de reciclagem e reduzir o envio de resíduos para aterros.
A seguir, você confere um guia prático e atualizado para 2026 sobre os 6 tipos de plástico mais usados no dia a dia, como identificá-los pelo símbolo da embalagem e qual é o descarte correto no contexto brasileiro.
Contexto no Brasil (2025–2026)
Segundo dados da ABIPLAST (2024–2025), o Brasil recicla cerca de 10% de todo o plástico que consome, e quase 90% desse volume vem de apenas três resinas: PET, PEAD e PEBD. O PET lidera a reciclagem (cerca de 40%), enquanto outros tipos, como o PS, ainda enfrentam grandes desafios de viabilidade econômica e logística.
Polietileno de alta densidade (PEAD): resistência e versatilidade

O PEAD (Polietileno de Alta Densidade), identificado pelo número 2 dentro do triângulo de reciclagem, é um dos plásticos mais presentes no cotidiano brasileiro. Ele aparece em garrafas de leite, frascos de detergente e amaciante, galões, baldes e tubulações.
Sua estrutura molecular compacta garante alta resistência mecânica, química e à umidade. No Brasil, o PEAD responde por cerca de 15% do consumo total de plásticos e tem uma taxa de reciclagem próxima de 29%, sendo o segundo material mais reciclado no país.
✅ Reciclabilidade: tecnicamente 100% reciclável e amplamente aceito na coleta seletiva.
💰 Preço da resina virgem (jan/2026): R$ 8,50 a R$ 10,50/kg.
♻️ Destino comum após reciclagem: novas embalagens, tubulações, mobiliário urbano.
Polietileno de baixa densidade (PEBD): flexibilidade e leveza
O PEBD (Polietileno de Baixa Densidade), código 4, é conhecido por sua flexibilidade e toque macio. Ele está presente em sacolas plásticas, plástico-filme, sacos de lixo e diversas embalagens flexíveis.
No Brasil, o PEBD e sua variação PEBDL (baixa densidade linear) representam juntos cerca de 18–20% do consumo total de plásticos. Apesar de ser tecnicamente reciclável, sua reciclagem é mais complexa devido à baixa densidade e à contaminação frequente.
✅ Reciclabilidade: técnica 100%, mas viabilidade econômica média.
💰 Preço da resina virgem (jan/2026): R$ 9,00 a R$ 11,00/kg.
⚠️ Atenção: nem toda coleta seletiva aceita filmes plásticos — verifique as regras do seu município.
Polipropileno (PP): resistência térmica e versatilidade
O PP (Polipropileno), identificado pelo número 5, é o plástico mais consumido no Brasil, com cerca de 22% do mercado. Ele é usado em potes de alimentos, tampas, embalagens reutilizáveis, utensílios domésticos e peças automotivas.
Uma de suas principais vantagens é a resistência térmica, suportando temperaturas de até aproximadamente 130 °C. Por isso, é considerado seguro para uso em micro-ondas quando indicado pelo fabricante.
✅ Reciclabilidade: 100% técnica, mas taxa prática ainda baixa (5–8%).
💰 Preço da resina virgem (jan/2026): R$ 10,00 a R$ 12,50/kg.
♻️ Status no Brasil: reciclagem em expansão, especialmente em centros urbanos.
PVC (Policloreto de Vinila): durabilidade e uso estrutural
O PVC, código 3, é amplamente utilizado em tubos, conexões hidráulicas, revestimentos de cabos elétricos, pisos e esquadrias. Pode ser rígido ou flexível, dependendo da formulação.
⚠️ Nota técnica: o PVC é 100% reciclável e seguro quando destinado à coleta formal. A liberação de gases tóxicos ocorre apenas em queimas inadequadas, o que reforça a importância do descarte correto e nunca da incineração doméstica.
✅ Reciclabilidade: técnica alta, viabilidade média no Brasil (~15%).
💰 Preço da resina virgem (jan/2026): R$ 7,50 a R$ 9,50/kg.
📌 Dica: em obras, o gerenciamento de resíduos de PVC é obrigatório pela legislação ambiental.
PET (Polietileno tereftalato): campeão da reciclagem
O PET, identificado pelo número 1, é conhecido pelas garrafas de refrigerantes, água e sucos. Ele combina transparência, leveza e resistência, sendo ideal para embalagens de bebidas.
No Brasil, o PET é o plástico mais reciclado, com taxa entre 35% e 40%. Ele responde sozinho por cerca de 40% de todo o volume de plástico reciclado no país.
✅ Reciclabilidade: alta e consolidada.
💰 Preço da resina virgem (jan/2026): R$ 11,00 a R$ 13,50/kg.
♻️ Após reciclagem: fibras têxteis, novas garrafas, embalagens e produtos industriais.
Poliestireno (PS): uso amplo, reciclagem limitada
O PS (Poliestireno), código 6, aparece em copos descartáveis, pratos plásticos, bandejas e no EPS (isopor). Em sua forma expandida, é muito leve e volumoso.
Apesar de ser tecnicamente reciclável, o PS tem taxa de reciclagem inferior a 5% no Brasil. O grande volume e o baixo valor de mercado dificultam a coleta e o reprocessamento.
❌ Status: raramente aceito na coleta seletiva comum.
⏳ Tempo de degradação estimado: 500 a 1.000 anos.
⚠️ Tendência: pressão regulatória para reduzir plásticos de uso único.
Como identificar o tipo de plástico na embalagem (ABNT)
No Brasil, a norma ABNT NBR 13230 padroniza os símbolos de identificação dos plásticos. Procure um número de 1 a 7 dentro do triângulo de setas, geralmente no fundo da embalagem. Esse código indica o tipo de resina e orienta o descarte correto.
Importância do descarte correto no Brasil

Nem todo plástico reciclável é efetivamente reciclado. No Brasil, a infraestrutura prioriza PET e PEAD, enquanto outros tipos dependem de PEVs, cooperativas ou programas de logística reversa.
✅ Dica prática: enxágue a embalagem, retire resíduos e verifique no site ou canal da prefeitura quais materiais são aceitos na sua região. Quando possível, prefira entregar diretamente em cooperativas de reciclagem.
Inovações e alternativas sustentáveis (2025–2026)
Além da reciclagem, o mercado brasileiro avança em plásticos reciclados (rPET, rPEAD) e bioplásticos, como PLA e PBAT. Esses materiais crescem, mas ainda representam menos de 2% do mercado e exigem compostagem industrial, não doméstica.
- Plástico reciclado: desempenho equivalente ao virgem em muitas aplicações.
- Bioplásticos: preço 20–50% maior e infraestrutura limitada no Brasil.
- Reutilização: vidro, metal e embalagens retornáveis ganham espaço.
FAQ rápido sobre plásticos no Brasil
1. Todo plástico é reciclável?
Tecnicamente, sim. Na prática, apenas alguns têm reciclagem viável no Brasil.
2. Qual é o pior plástico para o meio ambiente?
O PS e plásticos de uso único, pela baixa reciclagem e longa degradação.
3. Esse modelo de reciclagem existe hoje no Brasil?
Sim, principalmente para PET e PEAD. Outros ainda dependem de iniciativas locais.
Conclusão: identificar para reciclar melhor
Identificar corretamente os 6 tipos de plástico mais usados é uma das formas mais eficazes de contribuir para a economia circular no Brasil. Pequenas atitudes — como separar corretamente e escolher embalagens recicláveis — fazem diferença em escala nacional.
Quer se aprofundar? Veja nosso guia completo sobre reaproveitamento de materiais, logística reversa e sustentabilidade no Brasil: