No último ano, o financiamento para geração própria de energia solar no Brasil registrou um crescimento notável de 12,4%, segundo dados da plataforma Meu Financiamento Solar. Este aumento reflete uma tendência crescente em direção à geração de energia renovável em escala residencial e comercial, impulsionada principalmente pela queda nos preços dos equipamentos e pela elevação das tarifas de energia elétrica.
Em 2024, a plataforma registrou cerca de 45 mil propostas de financiamento aprovadas, sendo que 83% dessas propostas foram destinadas a instalações residenciais. A região Nordeste do país liderou a liberação de crédito, representando 32,73% do total disponibilizado, enquanto o estado de São Paulo destacou-se com a maior concentração de financiamentos, contabilizando 15,6% do total. A maioria dos projetos financiados contemplou sistemas de capacidade variando entre 5,5 e 8,2 quilowatts (kW).
Custos menores, adesão maior
“O aumento na procura por sistemas de geração própria de energia reflete, em grande parte, a redução significativa nos custos dos painéis solares, que caíram cerca de 60% nos últimos dois anos,” explicou um porta-voz da plataforma de financiamento.
Além disso, a revalorização do investimento em energia solar tornou-se cada vez mais atrativa. Estima-se que o retorno sobre o investimento para a instalação de painéis solares varie entre 35% e 45% ao ano, superando consideravelmente os retornos de investimentos tradicionais no mercado.
Um fator adicional que tem impulsionado essa adoção é o aumento nas tarifas de energia elétrica. A implementação da bandeira tarifária vermelha 2, em outubro de 2024, resultou em um aumento significativo nas contas de energia, levando consumidores a procurar alternativas mais econômicas, como a energia solar.
Alta das tarifas acelera transição
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) mantém-se como o maior financiador global de energias renováveis, com créditos somando cerca de 36,4 bilhões de dólares desde 2004. No entanto, o setor ainda enfrenta desafios significativos, como a recente medida que aumentou os impostos sobre importação de células fotovoltaicas, podendo encarecer projetos centralizados de geração solar em até 8%.
Apesar desses desafios regulamentares, o mercado de financiamento para energia solar no Brasil continua a crescer robustamente, alimentado por uma combinação de custos reduzidos de equipamentos, alto retorno sobre investimento e aumento nos preços da energia tradicional.
Como destacado por um analista do setor de energia, “Com a contínua elevação das tarifas das concessionárias e a crescente conscientização sobre sustentabilidade, a energia solar já não é mais apenas uma tendência; é uma necessidade emergente.”.