Você já se perguntou por que o Brasil, com uma costa de mais de 7.400 km, ainda não gera eletricidade em escala a partir das ondas do mar? Enquanto a energia solar e eólica explodiram no país, a energia ondomotriz (das ondas) continua engatinhando. Neste artigo, você vai entender o tamanho real desse potencial, conhecer os projetos ativos em 2026, as novas leis que estão desenhando o futuro da chamada energia azul e, principalmente, por que essa tecnologia ainda não chegou ao seu bolso nem à rede elétrica brasileira.
O Brasil tem um potencial teórico estimado entre 90 GW e 114 GW para geração de eletricidade a partir do movimento dos oceanos, mas a energia das ondas ainda está em fase experimental no país. Em 2026, os projetos ativos se limitam a protótipos de pequena escala: um conversor de 100 kW no Porto de Pecém (CE) e outro de 80 kW a 100 kW da COPPE/UFRJ na Ilha Rasa (RJ). Novas leis e incentivos começam a desenhar um caminho para a chamada energia azul no Brasil.
O Potencial Brasileiro para Energia dos Oceanos: Números e Regiões
O Centro de Energias Renováveis do Mar (CEMBRA) estima que o Brasil possui 114 GW de potencial teórico para energia dos oceanos. Esse número considera todas as fontes marinhas: ondas, marés, correntes e gradiente térmico.
A distribuição regional impressiona:
- Norte e Maranhão: 27 GW
- Nordeste: 22 GW
- Sudeste: 30 GW
- Sul: 35 GW
Para a energia das ondas especificamente (chamada de ondomotriz), as estimativas variam conforme a metodologia. Um estudo acadêmico citado pela CNN Brasil aponta cerca de 90 GW para o recurso ondomotriz total do país. Outro resumo divide os potenciais brutos: 22 GW no Nordeste, 30 GW no Sudeste e 35 GW no Sul. (Fonte: CEMBRA, Capítulo IV – Energia dos Oceanos; CNN Brasil)
Por que os números divergem? Diferentes modelos de medição, profundidade do oceano, sazonalidade das ondas e a tecnologia de conversão considerada influenciam os resultados. O importante é entender que o Brasil tem um recurso natural vasto e distribuído ao longo de toda a costa.
Projetos Ativos de Energia das Ondas no Brasil em 2026
Apesar do enorme potencial, a energia ondomotriz no Brasil ainda é experimental. Não há usina comercial operando. Os projetos ativos são protótipos de pesquisa e desenvolvimento.
Protótipo Pioneiro no Porto de Pecém (CE)
O primeiro conversor brasileiro de energia das ondas conectado à rede foi instalado no Complexo do Pecém, no Ceará. Com 100 kW de capacidade instalada, ele opera em ambiente portuário real desde o início dos testes.
| Projeto | Capacidade | Localização | Status em 2026 |
|---|---|---|---|
| Protótipo Pecém | 100 kW | Porto de Pecém (CE) | Em operação (protótipo) |
| Conversor COPPE/UFRJ (Ilha Rasa) | 80 kW a 100 kW (divergência histórica) | Ilha Rasa (RJ) | Em desenvolvimento/pesquisa |
| Memorando Eco Wave Power + Pecém | Até 9 MW (previsão) | Complexo do Pecém (CE) | Memorando assinado em 2021, sem previsão de conclusão |
Conversor Offshore da COPPE/UFRJ na Ilha Rasa (RJ)
O Grupo de Energia das Ondas (GERO) da COPPE/UFRJ desenvolve um conversor offshore próximo à Ilha Rasa, no litoral do Rio de Janeiro. A documentação técnica atual do projeto indica capacidade de 80 kW, enquanto versões históricas mencionaram 100 kW e investimento de R$ 9 milhões.
A divergência entre as etapas do projeto é natural: ao longo do desenvolvimento, protótipos podem ter ajustes de potência. O importante é que o conversor está em fase de implantação e representa o principal projeto acadêmico brasileiro na área. (Fonte: GERO COPPE/UFRJ)
Memorando de Entendimento com a Eco Wave Power no Pecém
Em 2021, o Complexo do Pecém e a empresa israelense Eco Wave Power assinaram um Memorando de Entendimento para implantação de uma usina de ondas com capacidade de até 9 MW nas dependências do terminal portuário. A parceria envolve o governo cearense. (Fonte: Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Ceará)
Vale destacar que o memorando representa uma intenção, não uma obra concluída. Até o momento, não há informação pública sobre o início da construção.
Marco Regulatório: Leis que Abrem Caminho para a Energia Azul no Brasil
O ano de 2025 trouxe dois avanços importantes para o setor.
Lei 15.097/2025: A Exploração da Energia Elétrica no Mar
A Lei 15.097/2025 estabelece o marco legal para a exploração da energia elétrica offshore (no mar). Ela cria regras para a instalação de parques eólicos e também para outras fontes marinhas, como a energia das ondas. Na prática, a lei oferece segurança jurídica para investidores e pesquisadores, definindo concessões e licenciamento ambiental.
Projeto de Lei 1001/2025: Programa Nacional de Incentivo à Energia Azul
O PL 1001/2025, em tramitação na Câmara dos Deputados, propõe um pacote de incentivos específicos para a energia azul:
- Isenção de IPI para equipamentos do setor.
- Redução de 50% do Imposto de Importação para tecnologias sem similar nacional.
- Destinação de pelo menos 10% do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima para pesquisa e inovação.
Essas medidas podem reduzir significativamente os custos de importação de equipamentos e acelerar projetos de pesquisa. (Fonte: Câmara dos Deputados, PL 1001/2025)
Para o consumidor, isso sinaliza que o governo começa a olhar para a energia dos oceanos como uma alternativa renovável viável a médio prazo.
Por que a Energia das Ondas Ainda Não Decolou no Brasil
Se o potencial é enorme e as leis estão chegando, por que ainda não vemos usinas de ondas na costa brasileira?
Desafios Técnicos
As ondas são naturalmente variáveis em amplitude, frequência e direção. Os conversores precisam ser robustos o suficiente para suportar tempestades e a corrosão salina. Além disso, conectar um equipamento offshore à rede elétrica exige cabos submarinos caros e infraestrutura de transmissão.
Desafios Econômicos
O custo de instalação e manutenção em alto-mar é elevado. Sem escala comercial, cada projeto é customizado e caro. Para comparação, a energia solar e eólica já possuem cadeia produtiva consolidada e custo por kW muito menor. Em 2026, investir em energia das ondas ainda não compete com solar ou eólica.
Desafios Regulatórios Históricos
Até 2025, não havia um marco legal específico para a energia offshore no Brasil. Isso gerava insegurança jurídica para investidores. A Lei 15.097/2025 e o PL 1001/2025 representam avanços reais, mas ainda levarão tempo para surtir efeito prático.
O que o Brasil Pode Aprender com Projetos Internacionais
Países com litoral extenso já estão mais avançados na energia ondomotriz.
- Portugal: Usina de ondas do Pico (Açores) e projeto WaveRoller em Peniche.
- Reino Unido: Centro de testes European Marine Energy Centre (EMEC) em Orkney, com múltiplos conversores conectados à rede.
- Austrália: Projeto CETO na costa de Perth, tecnologia submersa.
Esses países investem em áreas de teste e políticas de incentivo antes da escala comercial. O Brasil pode seguir o mesmo caminho com os protótipos atuais.
Como Identificar um Projeto de Energia Renovável Marinha Confiável
Como consumidor ou investidor, você pode se deparar com iniciativas que se autodenominam “sustentáveis”. Para evitar greenwashing, verifique:
- O projeto tem autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL)?
- Possui licenciamento ambiental do IBAMA ou órgão estadual?
- A tecnologia conversora é testada em ambiente real (protótipo conectado à rede)?
- A fonte dos dados de potencial é pública e verificável (como CEMBRA, EPE, IRENA)?
- Há parceria com universidades ou centros de pesquisa reconhecidos (COPPE, USP, UFSC)?
Desconfie de promessas de energia “gratuita” ou “100% limpa” sem comprovação. Busque certificações como a ISO 14001 (gestão ambiental) e o selo B Corp para empresas do setor.
Perguntas Frequentes
A Energia das Ondas Já É Usada no Brasil?
Sim, em escala de protótipo. O Brasil tem dois projetos ativos: um de 100 kW no Porto de Pecém (CE) e outro de 80 kW a 100 kW da COPPE/UFRJ na Ilha Rasa (RJ). Não há usina comercial em operação.
Quanto Custa Instalar um Sistema de Energia das Ondas em Casa?
Não existem sistemas residenciais disponíveis no mercado brasileiro. A tecnologia ainda é experimental e voltada para projetos de pesquisa. O custo de um conversor de 100 kW é estimado em milhões de reais, inviável para uso doméstico. Consulte distribuidores especializados se quiser orçamentos.
Qual a Diferença entre Energia das Ondas e Energia Maremotriz?
Energia das ondas (ondomotriz) aproveita o movimento das ondas na superfície do mar. Energia maremotriz utiliza a variação do nível do mar causada pelas marés, geralmente com barragens ou turbinas submersas. Ambas são renváveis, mas com tecnologias e locais de instalação diferentes.
O Brasil Tem Potencial Real para Gerar Energia com as Ondas?
Sim. As estimativas indicam potencial de 22 GW a 35 GW por região costeira, com destaque para o Sul (35 GW) e Sudeste (30 GW). O recuro natural exists, mas ainda falta viabilidae econômica e escala tecnológi.ca.
Quais São os Projetos de Energia das Ondas no Brasil em 2026?
Os principais são o protótipo de 100 kW no Porto de Pecém (CE), o conversor da COPPE/UFRJ na Ilha Rasa (RJ) e o memorandum com a Eco Wave Power no Pecém, que prevê usina de até 9 MW.
A Energia das Ondas Polui o Meio Ambiente?
O impacto ambientl é considrado baixo em comparação com combstíveis fósseis. Os principais riscos são: interferênia em habitats marinhos, ruído submarino durante instalação e risco de colião com fauna. O impato depede do tipo de conversor e do locl.
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Referências
- CEMBRA (2024), Capítulo IV: Energia dos Oceanos
- GERO COPPE/UFRJ, Implantação de conversor offshore para geração de eletricidade pelas ondas do mar
- Secretaria do Densenvolvimnto Econômico do Ceará, Memorando de Entndimento Complexo do Pecém e Eco Wave Power
- Câmara dos Deputados, Projeto de Lei 1001/2025
- Câmara dos Deputados, Lei 15.097/2025






