Designer Brasileira Transforma Redes de Pesca em Produtos Ecológicos

Ao todo são cerca de 640.000 redes de pesca poluindo o oceano, representando aproximadamente 10% da poluição oceânica do plástico.

(Divulgação/Positiv.a)

Você já parou para pensar na quantidade de dejetos plásticos do oceano que poderiam ser reaproveitados? Uma designer têxtil foi além da imaginação e transformou redes de pesca descartadas no mar em produtos ecológicos e sustentáveis, como saquinhos para guardar frutas e esfregões de limpeza pesada.

De acordo com Nara Guichon, também artista plástica e ambientalista, a ideia surgiu após receber uma extensa doação desse material em seu atelier, local onde tem o costume de produzir peças que seguem a moda sustentável e ética. A designer conta que já há alguns anos, percebia o aumento da poluição marinha em Florianópolis (cidade onde mora), devido a quantidade de redes de pesca descartadas na água.

“Numa sociedade cada vez menos conectada aos valores naturais, o artesanato feito com materiais que, de outro modo seriam descartados, se mostra como uma forma de retorno às origens”, explica Nara.

Frutos do Reaproveitamento

(Divulgação/Positiv.a)

Com o reaproveitamento dessas redes, em 2008, Nara optou pela produção de esfregões ecológicos para limpeza pesada e saquinhos guarda frutas. Segundo a designer, o esfregão é o substituto ideal para outros itens de plástico comuns (que têm menor durabilidade), porque após 6 anos de uso, ele continuará com a mesma estrutura sem liberar microplásticos de poliamida no ambiente. 


(Divulgação/Positiv.a)

Já os saquinhos guarda frutas, tem o intuito de substituir e/ou reduzir o uso de sacolas e demais materiais plásticos comuns, podendo funcionar também como guarda volumes para compras, um separador de roupas para malas ou, até mesmo, uma necessaire. 

Após o sucesso dos produtos, Nara firmou parceria com Marcella Zambardino, co-Ceo da Positiv.a — empresa B que cria soluções para preservar a natureza ao cuidar do corpo e da casa —, criando a linha Fui Uma Rede de Pesca. 

(Divulgação/Positiv.a)

(Divulgação/Positiv.a)

De acordo com a empresária, as redes são compradas dos pescadores locais, higienizadas e costuradas uma a uma por artesãs da região. Com isso, o reaproveitamento do material gera empregos e renda, além de conscientizar a população local sobre como cuidar da natureza. Com a parceria, a empresa conseguiu vender cerca de 400 kg de produtos.

Planos Para o Futuro

(Divulgação/Positiv.a)

A co-CEO da empresa garante que pretendem permanecer com a parceria durante um grande período, agora, com a venda de outros produtos produzidos por Nara. A artesã, atualmente está a confeccionar novos produtos como roupas, colares e esponjas a partir das redes.

“O contato com os elementos minerais e vegetais, assim como o novo olhar sobre objetos descartados ou indesejados, pode revolucionar a nossa economia e a forma como interagimos como sociedade”, finaliza a artesã.

Entenda o Problema das Redes de Pesca


(Divulgação/Positiv.a)

As redes de pesca são feitas de um material plástico altamente tóxico para os oceanos, a poliamida (popularmente conhecido, o nylon). Por serem muito resistentes, demoram centenas de anos para se decomporem na natureza, resultando em um agravante preocupante para a integridade do meio ambiente em geral. 

Segundo dados fornecidos pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), cerca de 10% de todo lixo marítimo, são somente de redes de pesca descartadas. Com ações como a de Nara e a Positiv.a, o reaproveitamento do plástico encontrado no mar, promove a diminuição da poluição nos Oceanos e fomenta a economia circular e sustentável.