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Atenção (status em 2026): esta “energia solar noturna” é uma tecnologia experimental demonstrada em laboratório (pesquisa publicada em 2022). Até janeiro de 2026, não há comercialização nem aplicação prática residencial/empresarial no Brasil, e a potência gerada ainda é extremamente baixa.
Já pensou existir uma maneira de obter energia solar, sem sol? Pesquisadores australianos, projetaram uma maneira de captar energia solar noturna a partir do calor irradiado pelo planeta terra com luz infravermelha.
Cientistas da Escola de Energia Fotovoltaica e Renovável da Universidade de New South Wales (UNSW), em Sidney, na Austrália projetaram uma nova célula solar, capaz de gerar eletricidade à noite.
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Este conteúdo aborda um aspecto específico da energia solar. Para entender como a energia solar evolui no Brasil, seu papel na matriz energética e como inovações globais influenciam esse cenário, confira o guia de referência abaixo.
Como Funciona a Energia Solar Noturna?

A energia solar noturna é gerada por um aparelho chamado diodo termorradiativo, um dispositivo semicondutor utilizado para fornecer energia por meio da emissão de luz infravermelha.
De forma simplificada: durante o dia, o Sol aquece a superfície da Terra. À noite, parte desse calor “volta” para o espaço como radiação infravermelha. O diodo termorradiativo tenta converter essa emissão de infravermelho (e o gradiente térmico entre o solo e o céu mais frio) em eletricidade.
Ainda que a quantidade de energia gerada seja 100 mil vezes menor que um painel solar convencional, os pesquisadores acreditam que o dispositivo poderá ser aperfeiçoado no futuro.
Para ter uma noção de escala, o trabalho acadêmico da UNSW reporta uma ordem de grandeza de ~40 nW/cm² (nanowatts por centímetro quadrado) no experimento, enquanto um painel solar convencional em plena luz do dia opera muitas ordens de grandeza acima disso — por isso, hoje, a aplicação é mais promissora para sensores e eletrônica de baixíssimo consumo do que para abastecer uma casa.
De acordo com Ned Ekin-Daukes, líder da pesquisa, o dispositivo funciona ao aproveitar a energia solar que atinge a terra através de luz durante o dia, aquecendo o planeta. À noite, essa energia retorna ao espaço no formato de luz infravermelha.



“Da mesma forma que uma célula solar pode gerar eletricidade absorvendo a luz solar emitida por um sol muito quente, o diodo termorradiativo gera energia solar noturna emitindo luz infravermelha em um ambiente mais frio. Em ambos os casos, a diferença de temperatura é o que nos permite gerar eletricidade”, explica o cientista para ABC Australia.
Utilizando câmeras de imagem térmica, os cientistas puderam enxergar a quantidade de radiação existente à noite, porém, explicam que são visíveis apenas no infravermelho, e não nos comprimentos de onda visíveis.
O Futuro da Energia Solar Noturna

A descoberta da energia solar noturna é uma feliz comprovação de um novo meio de obtenção de energia que, antes, só existia em teoria. Segundo a equipe de cientistas, os resultados positivos são o primeiro passo para que no futura, existam tecnologias para capturar uma quantidade maior de radiação infravermelha.
O que muda na prática (visão 2026): apesar do interesse científico, não há indicação de que essa solução esteja próxima de virar produto comercial. O resultado de 2022 é um “proof-of-concept” (demonstração) e, até o momento, não substitui soluções já viáveis para usar energia à noite, como armazenamento em baterias ou outras formas de gestão de consumo.
“Eu acho que isso é uma tecnologia inovadora, nós não devemos subestimar a necessidade de as indústrias intervirem e realmente impulsioná-la. Se a indústria pode ver que esta é uma tecnologia valiosa para eles, então o progresso pode ser extremamente rápido”, explica.

Ainda segundo a equipe, a energia solar noturna abre as portas para diversas possibilidades de uso, sendo muitas delas, totalmente inéditas, como, por exemplo, gerar eletricidade a partir do calor emanado pelo corpo humano.
É importante reforçar que essas aplicações seguem no campo de pesquisa. A demonstração publicada não indica potência suficiente para “tocar” eletrônicos comuns do dia a dia, e sim para cenários de consumo ultrabaixo, caso a tecnologia evolua.
O cientista finaliza a entrevista comparando a nova pesquisa ao trabalho de engenheiros do Bell Labs que demonstraram a primeira célula solar de silício prática em 1954. Essa primeira célula solar de silício era apenas cerca de 2% eficiente, mas agora as células modernas conseguem converter cerca de 23% da luz do sol em eletricidade.