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United Airlines: Voo UA2701 Com SAF 100% no 737 Max 8

5 min de leitura

Mobilidade, noticias EUA

O uso de combustíveis sustentáveis na aviação ganhou relevância estratégica nos últimos anos, especialmente diante da pressão por redução de emissões de CO₂. Dentro desse contexto mais amplo de sustentabilidade, o SAF (Sustainable Aviation Fuel) surge como a principal alternativa técnica viável para descarbonizar o setor aéreo sem substituir aeronaves ou infraestrutura.

Em vez de promessas genéricas, o debate em 2026 está centrado em viabilidade técnica, custo real por litro, escala industrial e regulamentação. Empresas aéreas, produtores de biocombustíveis e governos avaliam como — e em que ritmo — o SAF pode sair do estágio de demonstração para uso comercial consistente.

Foi nesse cenário que a United Airlines realizou um voo histórico em 2021, frequentemente citado como marco inicial. A seguir, atualizamos esse caso com dados verificados e ampliamos a análise para o panorama global e brasileiro do SAF em 2025–2026.

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Como funciona o combustível sustentável?

No dia 1º de dezembro de 2021, a United Airlines realizou o voo UA2701 entre Chicago (O’Hare) e Washington (Ronald Reagan) com passageiros a bordo, utilizando SAF 100% em um dos motores de um Boeing 737 MAX 8. O outro motor operou com querosene de aviação convencional (Jet A-1), sob autorização especial da FAA.

O combustível utilizado foi do tipo HEFA (Hydroprocessed Esters and Fatty Acids), produzido a partir de óleos vegetais e resíduos graxos. Trata-se de um combustível “drop-in”, ou seja, compatível com motores e sistemas atuais, sem necessidade de modificações estruturais.

Apesar de frequentemente descrito como “voo com SAF 100%”, é importante a precisão técnica: aproximadamente 50% da energia total do voo veio de SAF, já que apenas um dos motores operou exclusivamente com o combustível sustentável. Ainda assim, foi o primeiro voo comercial com passageiros nessa configuração.

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Do ponto de vista ambiental, o SAF HEFA pode reduzir entre 75% e 85% das emissões de CO₂ no ciclo de vida em comparação ao QAV fóssil, dependendo da matéria-prima e do processo produtivo. Em 2026, o limite regulatório comercial permanece em misturas de até 50%, enquanto o uso de SAF 100% segue restrito a testes certificados.

Panorama dos tipos de SAF em 2026

Tipo de SAFMatéria-primaRedução de CO₂Status no Brasil (2026)
HEFAÓleos vegetais e resíduos75–85%Importação comercial (blends)
ATJ (Alcohol-to-Jet)Etanol de cana-de-açúcar70–80%Projetos-piloto (SP)
E-fuelsH₂ verde + CO₂ capturadoAté 95%P&D (alto custo)
Hidrogênio diretoH₂ verdeZero no usoPesquisa (não comercial)

Contexto no Brasil (2025–2026)

No Brasil, o SAF ainda representa menos de 1% da demanda total de combustível de aviação em 2026. O fornecimento ocorre majoritariamente via importação (Neste, World Energy), com blends de até 50% autorizados pela ANAC. A produção nacional está em fase piloto, com destaque para projetos de bioquerosene a partir de etanol de cana-de-açúcar liderados por empresas como a Raízen, em São Paulo.

Estudos da EPE/MME indicam potencial de 1 a 2 bilhões de litros/ano até 2030 usando rotas ATJ, aproveitando a infraestrutura existente do etanol. Óleos vegetais e resíduos também têm potencial, mas competem com o biodiesel e enfrentam limitações ambientais.

Custo real do SAF no Brasil em 2026

CombustívelPreço médio (R$/L)Fonte
QAV (Jet A-1)R$ 5,20 – 7,80ANP (jan/2026)
SAF (blends importados)R$ 18 – 28ANP / ABRASPE (2025)
SAF puro (estimado)R$ 22 – 35Estimativa sem escala

Disclaimer: os preços do SAF variam conforme escala, logística, incentivos fiscais e contratos de longo prazo. Mesmo com créditos do RenovaBio (CBIOs), o SAF custa hoje de 3 a 5 vezes mais que o QAV convencional.

Posição das companhias aéreas brasileiras

Em 2025–2026, GOL, LATAM e Azul realizaram voos de teste com blends entre 10% e 30% de SAF, principalmente em rotas internacionais. As três companhias apoiam a meta setorial de 10% de SAF até 2030, alinhada à IATA e às discussões regulatórias no Brasil, mas destacam que a adoção depende de oferta local e redução de custos.

Metas de descarbonização da aviação

  • IATA: emissões líquidas zero até 2050
  • Brasil (ANAC/PL 3737): 10% de SAF até 2030
  • United Airlines: net-zero 2050 sem uso de offsets tradicionais

FAQ rápido sobre SAF

O 737 MAX pode voar com SAF 100%?
Tecnicamente sim, em testes certificados. Comercialmente, o limite regulatório permanece em 50%.

SAF 100% já é vendido no Brasil?
Não. Em 2026, apenas blends importados estão disponíveis comercialmente.

Quando o SAF será rotina no Brasil?
Após 2030, condicionado à escala industrial, certificações ASTM/ANAC e incentivos econômicos.

Atualizado em janeiro de 2026.

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A Equipe de Mobilidade do Portal Ekko Green cobre o ecossistema de mobilidade elétrica e sustentável no Brasil: carros elétricos, bicicletas elétricas, scooters, motos elétricas, veículos comerciais e infraestrutura de carregamento. Acompanhamos lançamentos de modelos, comparações de preço e autonomia, infraestrutura nacional de eletropostos, regulação CONTRAN/DENATRAN, isenções e incentivos por estado. Cobrimos também transporte público de baixa emissão, kits de conversão, baterias e tecnologias de carregamento — fornecendo análises práticas para quem está comprando, convertendo ou pesquisando.