Atualizado em janeiro de 2026.
O Salvador Bahia Airport está entre as maiores operações aeroportuárias do país, com capacidade instalada para até 15 milhões de passageiros por ano após a modernização concluída em 2024. Em operações desse porte, a gestão de resíduos deixa de ser apenas um tema ambiental e passa a ser um fator direto de eficiência operacional e redução de custos. É nesse contexto que o aeroporto se tornou um benchmark nacional de economia circular, adotando um modelo de gestão de resíduos sem envio a aterros.
Desde 2020, o aeroporto opera oficialmente sob o conceito de Aterro Zero, no qual 100% dos resíduos sólidos gerados são recuperados por meio de reciclagem, compostagem e coprocessamento. Em vez de focar em prêmios ou rankings pontuais, este artigo foi atualizado para 2026 como um exemplo prático e replicável de gestão de resíduos em grandes operações no Brasil.

Como funciona o projeto de reciclagem?
No projeto Aterro Zero, todos os resíduos gerados no aeroporto são encaminhados para uma central interna de gestão de resíduos, onde ocorre a triagem por tipologia. Os materiais recicláveis seguem para cooperativas locais — como a CAMAPET, na Bahia — enquanto os resíduos orgânicos passam por processos de compostagem in loco. Já os rejeitos não recicláveis são destinados ao coprocessamento em fornos industriais, evitando o envio a aterros.
Esse fluxo permite reintroduzir materiais na cadeia produtiva por meio da reciclagem e da compostagem, alinhando a operação aos princípios da economia circular e às exigências da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010).

Além dos resíduos sólidos, o aeroporto também integra a gestão hídrica ao conceito de sustentabilidade operacional. A unidade conta com uma estação própria de tratamento de efluentes, que trata 100% da água residual gerada e permite o reuso em atividades operacionais, caracterizando o Salvador Bahia Airport como o primeiro aeroporto brasileiro com a meta de Zero Efluentes. A meta oficial é reduzir em 50% o consumo de água potável até 2030.

Em termos de reconhecimento técnico, o aeroporto mantém certificações ambientais relevantes, como a Airport Carbon Accreditation (ACA) nível 4+, com redução de aproximadamente 89% das emissões de escopos 1 e 2 em relação a 2018, além da certificação ISO 14001. É importante destacar que os formatos de premiação da ANAC mudaram ao longo dos últimos anos, com categorias por porte e temática, o que torna comparações diretas menos relevantes do que a continuidade operacional do modelo.
Contexto no Brasil (2025–2026)
No Brasil, projetos de Aterro Zero em grandes operações tornaram-se mais viáveis a partir da consolidação de cooperativas estruturadas, do avanço do coprocessamento em cimenteiras e do aumento da pressão regulatória da PNRS. Em aeroportos, shoppings e hotéis de grande porte, a tendência entre 2025 e 2026 é integrar resíduos, água e energia em uma única estratégia de eficiência operacional, com metas corporativas alinhadas a 2030. O modelo adotado em Salvador é compatível com a realidade brasileira, especialmente em regiões com alta geração de resíduos e logística urbana disponível.
Indicadores práticos e ROI estimado
O Salvador Bahia Airport não divulga publicamente valores detalhados de custos ou receitas com resíduos. No entanto, benchmarks de mercado para operações similares no Brasil indicam:
- Redução de até 100% dos custos com disposição em aterro (R$180 a R$250 por tonelada, dependendo do estado);
- Receita com recicláveis variando entre R$300 e R$700 por tonelada, conforme material e mercado local;
- Payback típico entre 18 e 36 meses para centrais de triagem e compostagem em operações acima de 1.000 t/ano.
Disclaimer: os valores acima são estimativas médias de mercado em 2025/2026. O ROI real depende do volume de resíduos, contratos locais, distância de coprocessamento e grau de segregação na origem.
Como replicar o modelo em outras operações
- Mapear a geração de resíduos por tipologia (orgânico, reciclável, rejeito);
- Implantar triagem na origem e central de resíduos dedicada;
- Firmar parceria com cooperativas locais formalizadas;
- Adotar compostagem para resíduos orgânicos sempre que houver escala;
- Contratar coprocessamento para rejeitos não recicláveis;
- Monitorar indicadores (t/mês, custo evitado, receita gerada);
- Buscar certificações ambientais para padronização e auditoria.
Esse conjunto de etapas transforma a gestão de resíduos de um centro de custo em um ativo estratégico, com ganhos ambientais, sociais e financeiros.
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