Energia maremotriz: a MeyGen (na Escócia) é um dos melhores estudos de caso para entender como turbinas submarinas de corrente de maré performam em escala real — com dados de geração, disponibilidade e durabilidade já medidos em anos de operação.
Atualizado em: janeiro/2026. A fase 1 do projeto (Inner Sound, Pentland Firth) chegou ao marco de 50 GWh gerados (dado divulgado em 2023) e segue como referência porque combina: ambiente de maré forte, operação contínua desde 2017 e aprendizado prático sobre O&M offshore.
O site MeyGen está em operação desde 2017 e apresenta a turbina de SIMEC Atlantis em operação contínua desde dezembro de 2018, com uma disponibilidade média de 95%.
Na fase 1, a MeyGen tem 6 MW instalados (4 turbinas de 1,5 MW). A implantação da quarta unidade foi concluída em 2022, fechando a fase inicial do arranjo. Em 2025, o projeto reportou um marco relevante de confiabilidade: uma das turbinas operou por cerca de 6,5 anos sem manutenção disruptiva (com expectativa de estender esse intervalo), um indicador-chave para reduzir custo de operação em ambientes submarinos.
Como é possível que o projeto gere tanta eletricidade?
As turbinas estão localizadas na costa norte da Escócia, em uma região onde a troca de água entre o Mar do Norte e o Oceano Atlântico Norte é comprimida entre o continente escocês e as Ilhas Orkney. O Inner Sound (Pentland Firth) concentra alguns dos fluxos de maré mais fortes do mundo (podendo chegar a ~5 m/s), o que cria uma fonte muito previsível de eletricidade renovável. As máquinas operam tipicamente em águas de ~20 a 40 m de profundidade (faixa do licenciamento/descrição do projeto).
O marco de 50 GWh (divulgado em 2023) é relevante porque, naquele momento, a geração acumulada de outros projetos/dispositivos maremotrizes no mundo era reportada como inferior a 50% desse total — um recorte que ajuda a dimensionar o grau de liderança do arranjo da MeyGen, mas que deve ser lido como fotografia de 2023 (o setor evolui continuamente).
Do ponto de vista de “lição de engenharia”, a MeyGen virou benchmark por três motivos práticos: (1) validação de desempenho em corrente forte; (2) comprovação de disponibilidade alta ao longo de anos; (3) evidência de que a durabilidade (intervalo entre grandes manutenções) pode ser maior do que se projetava em protótipos antigos — condição necessária para reduzir LCOE.
Leitura prática do case: em energia maremotriz, “funcionar” não é só gerar MWh — é manter a turbina girando por anos com intervenções raras e previsíveis, porque cada operação submarina custa caro e depende de janela meteoceanográfica.
A energia das marés é considerada uma fonte limpa e renovável de eletricidade, e o sucesso da MeyGen ajuda a “tirar do papel” dúvidas comuns sobre geração previsível, operação em ambiente agressivo e integração à rede. Se você quer a base completa (conceitos, diferenças entre marés/ondas, tipos de turbina e limitações), veja nosso guia de energia das marés.
Ao mesmo tempo, a tecnologia ainda é emergente em termos de escala global: custos de CAPEX e O&M seguem altos, a cadeia de suprimentos é mais restrita do que eólica offshore e cada sítio exige estudos ambientais e de navegabilidade detalhados. Por isso, o principal valor do case MeyGen é servir como benchmark técnico e econômico (não como “modelo pronto” para replicar sem adaptação).
Fases do projeto (o que já existe e o que está contratado)
| Fase | Potência | Status | O que significa na prática |
|---|---|---|---|
| Fase 1 | 6 MW (4 x 1,5 MW) | Operação desde 2017 | Base de dados real de disponibilidade, geração e O&M submarino |
| Fase 2 | 28 MW | Com CfD (AR4), alvo ~2027 | Expansão com contrato; preço de referência de energia mais alto que eólica madura |
| Fase 3 | 52 MW | Consentido/licenciado | Pipeline para futuras rodadas/financiamento, sujeito a CAPEX/rede |
Preço/LCOE: o que dá para comparar (e o que não dá)
O conteúdo antigo citava um LCOE em R$ sem fonte. Para manter o case verificável, o dado mais “auditável” hoje é o preço de contrato (CfD) da Fase 2: £178,54/MWh (AR4). Convertendo por câmbio aproximado de jan/2026, isso fica na ordem de ~R$ 1.300/MWh (referência internacional, não é preço no Brasil).
Como comparação qualitativa (sem forçar equivalência), eólica offshore em mercados maduros costuma contratar energia a preços menores do que tidal stream, porque já tem escala industrial e cadeia consolidada. Em outras palavras: MeyGen é benchmark de confiabilidade e previsibilidade, mas ainda não é benchmark de menor custo.
Contexto no Brasil (2025-2026)
No Brasil, não existe projeto comercial maremotriz de corrente instalado em operação contínua como a MeyGen: o tema aparece principalmente em estudos de potencial e P&D. Mesmo quando o potencial teórico é alto em algumas áreas, a viabilidade depende de: velocidade de corrente suficiente, batimetria compatível, conexão à rede, janela de manutenção e licenciamento ambiental/marítimo (Marinha/IBAMA/órgãos locais). Na prática, em 2025-2026, a energia maremotriz por turbinas submarinas por aqui está no estágio experimental, não de “prateleira”.
Disponibilidade e durabilidade: o principal aprendizado técnico
Para projetos offshore, “custo” é muito influenciado por quantas vezes você precisa intervir no equipamento. Por isso, o marco de 2025 (turbina com ~6,5 anos sem manutenção disruptiva) é importante: ele aponta que é possível alongar ciclos de manutenção e reduzir paradas, o que tende a melhorar a economia do projeto ao longo do tempo — especialmente quando o parque cresce e a logística de manutenção pode ser compartilhada.
As pessoas também perguntam
O que é o projeto de energia das marés MeyGen?
R: MeyGen é um parque de turbinas submarinas de corrente de maré (tidal stream) instalado no Pentland Firth (Escócia). A fase 1 opera desde 2017 com 6 MW (4 turbinas de 1,5 MW) e virou referência por dados reais de geração, disponibilidade e manutenção offshore.
O que significa o marco de 50 GWh da MeyGen?
R: É a geração acumulada divulgada em 2023 que colocou a MeyGen como o primeiro “tidal array” a atingir 50 GWh. O número é usado como benchmark de maturidade operacional do setor, mas deve ser entendido como um recorte temporal (2023).
Esse modelo é vendido no Brasil hoje?
R: Não. Em 2025-2026 não há oferta comercial consolidada de turbinas de corrente de maré no Brasil, nem cadeia local com homologação e histórico operacional. Iniciativas no país tendem a ficar em estudos e projetos-piloto, com aquisição via fornecedores internacionais e licenciamento caso a caso.
Nota de escopo (importante): dados operacionais e marcos de geração citados acima se baseiam em divulgações públicas até 2025 (durabilidade) e 2023 (50 GWh). O preço em R$ é conversão aproximada a partir de valor de CfD em libra e não representa tarifa ou leilão no Brasil. Desempenho no litoral brasileiro pode variar por corrosão, bioincrustação, logística e exigências de licenciamento.
Quer uma visão completa e aplicada para avaliar energia maremotriz? Entenda tipos de tecnologia, requisitos de sítio (corrente/profundidade), limitações e por que ainda é nicho no Brasil: → Energia maremotriz: guia completo