Atualizado em janeiro de 2026.
O iFood, uma das principais plataformas de delivery do Brasil, mantém desde 2019 parcerias para testar e escalar embalagens biodegradáveis feitas a partir de palha de milho, em conjunto com a startup growPack. A iniciativa está inserida no debate mais amplo sobre economia circular no delivery: reduzir plásticos de uso único usando resíduos agroindustriais, mas lidando com limites reais de custo, escala e infraestrutura no Brasil.
Na fase inicial, o iFood investiu cerca de R$ 500 mil (valor atualizado e divulgado em 2023) para a fabricação de aproximadamente 500 mil unidades de bandejas com tampa, o que indicava um custo industrial estimado de ~R$ 1 por unidade naquela etapa piloto. As embalagens são adequadas para micro-ondas, forno e freezer, seguras para contato com alimentos e resistem por até 36 horas em contato com líquidos, conforme testes conduzidos pela growPack.

Segundo Exequiel Bunge Berg, CEO da growPack, as embalagens de palha de milho são compostáveis em condições adequadas de umidade e temperatura, sem geração de microplásticos. O processo produtivo é 100% mecânico, sem cozimento químico, e pode ser adaptado a outros tipos de biomassa. De acordo com dados da empresa, isso reduz em até 80% o uso de água e em cerca de 50% as emissões em comparação com embalagens tradicionais de papel.

Em 2022, a primeira fase de testes produziu cerca de 30 mil embalagens. Destas, 18 mil unidades foram distribuídas gratuitamente para restaurantes parceiros de diferentes tipos de culinária na região de Campinas (SP). Pesquisas com consumidores e operadores avaliaram montagem, aparência, manutenção de temperatura e usabilidade no contexto real do delivery.
“A principal característica da embalagem de palha de milho é ser compostável, reduzindo o impacto ambiental e nos oceanos, pois não gera microplásticos”, afirmou Alexandre Lima, então gerente de sustentabilidade do iFood, durante a fase de testes divulgada publicamente.
Ele destacou ainda que a proposta era construir uma alternativa tecnicamente viável para o dia a dia dos restaurantes, equilibrando resistência, proteção dos alimentos e menor impacto ambiental ao longo do ciclo de vida.

O investimento em embalagens biodegradáveis fez parte do compromisso público do iFood de reduzir em 50% o uso de plásticos no delivery até 2025. Em 2026, a empresa não divulgou um balanço consolidado confirmando o atingimento exato dessa meta, mas reporta ações contínuas: programas como o Amigos da Natureza já evitaram cerca de 1.500 toneladas de plástico, além da ampla adoção do recurso que reduz o envio de itens plásticos de uso único por padrão.
Nos testes com consumidores, 77% preferiram a embalagem de palha de milho em relação ao plástico e ao alumínio; 71% avaliaram a aparência como melhor; e 70% consumiram o prato diretamente na bandeja. Esses dados indicam aceitação, mas não eliminam desafios econômicos e logísticos para adoção em larga escala.
Contexto no Brasil (2025–2026)
Desde 2023, a growPack opera a primeira fábrica brasileira de embalagens de palha de milho, localizada em Vinhedo (SP), o que viabilizou produção em escala piloto e fornecimento local. Apesar disso, o mercado brasileiro ainda enfrenta infraestrutura limitada de compostagem — menos de 5% dos resíduos orgânicos urbanos são tratados dessa forma. Na prática, parte dessas embalagens acaba destinada à coleta comum, o que reduz o potencial ambiental se não houver gestão adequada.
Outro ponto crítico é o custo. Estimativas de mercado para embalagens compostáveis de fibra vegetal no Brasil em 2024–2025 variam entre R$ 1,50 e R$ 3,00 por unidade, cerca de 20% a 50% acima do plástico convencional. Não há tabela pública de preços da growPack; valores finais dependem de volume, logística e contratos B2B.
Impacto real, limites e desafios
Do ponto de vista ambiental, o principal ganho está na substituição de plástico fóssil por um material de base renovável, com decomposição estimada em cerca de 12 semanas sob condições ideais de compostagem. No entanto, especialistas destacam que embalagem compostável não é solução isolada: sem coleta e tratamento adequados, o benefício ambiental diminui.
Para restaurantes, o ROI não é automático. A adoção pode gerar valor de marca e preferência do consumidor, mas exige testes operacionais, avaliação de custos e alinhamento com políticas locais de resíduos. Em muitos casos, o payback depende mais de estratégia de posicionamento do que de economia direta no curto prazo.
Em síntese, o caso iFood–growPack mostra que embalagens de palha de milho são tecnicamente viáveis no delivery brasileiro, mas seu impacto positivo em larga escala depende de três fatores-chave: custo competitivo, infraestrutura de compostagem e integração com políticas públicas de resíduos.
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As pessoas também perguntam (FAQ)
O iFood continua investindo em embalagens biodegradáveis em 2026?
Sim. O iFood mantém parcerias com fornecedores como a growPack e outras empresas de fibras vegetais, mas não divulgou metas quantitativas novas após 2025, focando em ações contínuas de redução de plástico.
Essas embalagens de palha de milho são realmente compostáveis no Brasil?
Elas são compostáveis em condições ideais de umidade e temperatura (cerca de 12 semanas). Na prática, o benefício depende da existência de coleta e compostagem adequadas, ainda limitadas no país.
Esse modelo de embalagem é vendido no Brasil hoje?
Sim. A growPack opera uma fábrica em Vinhedo (SP) desde 2023 e fornece embalagens B2B para restaurantes e parceiros, geralmente via contratos e volumes mínimos.