Atualizado em janeiro de 2026.
Reaproveitar materiais plásticos, antes descartados nos aterros, foi o que motivou o engenheiro mecânico canadense Arian Rayegani a desenvolver um projeto sustentável na favela da Rocinha, o Na Laje Designs. Em 2026, o projeto segue ativo e se consolida como um exemplo aplicado de economia circular no Brasil, transformando resíduos locais em produtos de alto valor agregado.
Através de tampinhas de plástico para garrafa, Arian — formado pela Universidade de Carleton, em Ottawa — produz skates artesanais feitos 100% com plástico reaproveitado. Além do apelo ambiental, os skates chamam atenção pelo design contemporâneo e pela resistência, mostrando na prática como o upcycling pode gerar renda local e reduzir impactos ambientais.



O projeto recebe apoio direto da comunidade, que doa tampinhas de plástico, além de instituições parceiras como a escola de surfe Vivendo Um Sonho Surf, Salvemos São Conrado e o Família na Mesa. Esse engajamento local é essencial para o modelo circular do Na Laje Designs, que depende de coleta comunitária e educação ambiental contínua na Rocinha.
A inspiração inicial veio após Arian assistir a um documentário sobre a poluição na praia de São Conrado e conhecer o trabalho de coleta de lixo do mar realizado por surfistas locais. Em 2026, essa motivação evoluiu para um pequeno ecossistema produtivo, alinhado a movimentos globais como o Precious Plastic, focado em reciclagem descentralizada.
Fabricação dos skates com tampinhas de plástico reciclado

O processo de fabricação dos skates é simples do ponto de vista técnico, mas exige controle de qualidade e equipamentos específicos. Arian investiu recursos próprios para adquirir máquinas inspiradas no padrão open source do Precious Plastic, viabilizando a produção local em pequena escala.
O ciclo começa com a coleta das tampinhas na Rocinha e em bairros próximos. Em seguida, o material passa por triagem, limpeza e separação por tipo e cor, garantindo melhor desempenho mecânico e acabamento visual do skate final.

Após a coleta e separação, as tampinhas são trituradas e levadas a um forno industrial, semelhante aos usados em pizzarias, onde o plástico é derretido em temperatura controlada. O material fundido é então colocado em moldes.
São feitas várias camadas sucessivas para garantir resistência estrutural. A finalização é manual, com corte, lixamento e instalação das rodas. Cada skate suporta até cerca de 115 kg, conforme testes divulgados pelo próprio projeto.

Todo esse processo leva em torno de duas horas por unidade. Cada skate utiliza aproximadamente 1,5 kg de plástico reciclado — o equivalente a cerca de 500 tampinhas — que deixam de ser descartadas irregularmente no ambiente.
Impacto ambiental: dados históricos indicam que o projeto evitou cerca de 700 kg de plástico descartado até 2020. Considerando fatores médios de ciclo de vida, cada skate representa uma economia estimada de até 1,5 kg de CO₂ em comparação ao uso de plástico virgem. Trata-se de uma estimativa genérica, não auditada especificamente para o projeto.
Em relação aos preços, registros entre 2020 e 2021 indicavam valores entre R$260 (deck sem rodas) e R$480 (skate completo). Os valores podem variar em 2026, pois a produção segue artesanal. Para preços atualizados, o ideal é consultar diretamente o site oficial ou o Instagram do projeto.

Além dos skates, o Na Laje Designs também produz outros itens duráveis a partir de resíduos plásticos locais, como vasos de plantas. O projeto mantém ações educativas, palestras e oficinas de conscientização ambiental para jovens e crianças da comunidade.
Contexto no Brasil (2025–2026)
O caso do Na Laje Designs reflete uma tendência crescente no Brasil: iniciativas de reciclagem descentralizada e upcycling em comunidades urbanas. Em 2026, projetos semelhantes ganham força por estarem alinhados à Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010), facilitando parcerias com escolas, ONGs e marcas que buscam impacto socioambiental mensurável.
Apesar de não ser produção em escala industrial, o modelo é replicável, especialmente quando combinado com tecnologias abertas como as do movimento Precious Plastic. A escalabilidade ocorre mais pela multiplicação de iniciativas locais do que pelo aumento de uma única fábrica.
Perguntas frequentes
- Esse modelo é vendido no Brasil hoje?
Sim. A produção é feita na Rocinha (RJ) e as vendas ocorrem via site oficial e Instagram @nalajedesigns. - Posso doar tampinhas para o projeto?
Sim. A doação pode ser combinada diretamente com o Na Laje Designs ou por meio de ONGs parceiras. O contato mais seguro é pelo site oficial. - É possível replicar esse projeto em outras comunidades?
Sim. O processo utiliza máquinas e métodos acessíveis, e já inspira iniciativas semelhantes no Brasil e em outros países.
💡 Quer se aprofundar em exemplos práticos como este?
Veja como projetos de reaproveitamento, reciclagem e novos modelos de negócio sustentável estão transformando resíduos em valor econômico e social no Brasil: