Atualizado em janeiro de 2026
Ainda que sejam bastante úteis para congelar bebidas e condimentos, as caixas de isopor impactam gravemente o meio ambiente. Para substituí-las, uma dupla de pesquisadores criou um cooler ecológico feito de resíduos de casca de coco — uma inovação alinhada aos princípios da economia circular, ao reaproveitar um resíduo agrícola que normalmente seria descartado ou queimado.
O projeto ganhou visibilidade internacional por meio da startup Fortuna Cools, fundada em 2018 nas Filipinas, um dos maiores produtores de coco do mundo. A iniciativa surgiu em parceria com pequenos agricultores locais e teve seu primeiro financiamento via Kickstarter. Em 2026, não há confirmação de venda oficial ou distribuição regular no Brasil, sendo o produto acessível apenas por importação pessoal.
Como Se Deu o Cooler Ecológico

Após obterem seus diplomas de pós-graduação em Stanford, o engenheiro David Cutler e a bióloga Tamara Mekler viajaram para as Filipinas para colaborar em um projeto acadêmico voltado à melhoria de embalagens para pescado.
No país, a dupla se deparou com outro desafio ambiental: o grande volume de resíduos da indústria do coco. As cascas, consideradas sem valor comercial, eram frequentemente queimadas pelos agricultores, liberando emissões de CO₂ na atmosfera.


Ao investigar as propriedades da casca de coco, Cutler e Mekler descobriram um potencial inesperado: o material apresentava características térmicas semelhantes às do isopor.
“As fibras de casca de coco contêm milhares de pequenas bolsas de ar presas — a mesma estrutura que a espuma de poliestireno expandido (EPS, o isopor) utiliza para reduzir a transferência de calor. Em microscópio, a semelhança estrutural é impressionante”, explicou Cutler em entrevista à revista Forbes.



A partir dessa constatação, os pesquisadores passaram a processar a fibra da casca de coco para criar painéis isolantes capazes de substituir o isopor em caixas térmicas.
O objetivo inicial era duplo: oferecer uma alternativa durável para pescadores — grandes usuários de isopor descartável — e gerar renda adicional para agricultores de coco, evitando a queima dos resíduos.
Características do Cooler Ecológico

Batizado de Nutshell Cooler, o modelo voltado ao consumidor final possui 33 cm de altura, 47 cm de largura e 12 cm de profundidade quando dobrado — dimensões menores que o Coconut Cooler, versão desenvolvida para uso profissional por pescadores.
Com capacidade de 20 litros e peso aproximado de 8 kg vazio, o cooler pode ser dobrado até cerca de 15 cm de espessura, facilitando o transporte e o armazenamento. O público-alvo são usos ocasionais, como praia, camping, viagens curtas e compras de supermercado.


Segundo o fabricante, o Nutshell Cooler manteve o gelo por até 48 horas em testes internos. Importante: a retenção térmica varia conforme temperatura ambiente, proporção de gelo, abertura do cooler e tipo de conteúdo. Não há, até 2026, testes independentes publicados especificamente para o clima brasileiro.
As fibras utilizadas provêm de pequenos agricultores das Filipinas (dados divulgados até 2022). O revestimento interno é feito de PET reciclado. Informações sobre locais exatos de processamento e montagem podem ter sido alteradas após 2022 e não foram atualizadas oficialmente pela empresa.


A proposta ambiental do produto envolve o uso de resíduos agrícolas, maior durabilidade em comparação ao isopor descartável e preferência por frete marítimo, que emite menos gases de efeito estufa do que o transporte aéreo.
⚠️ Contexto no Brasil (2025–2026): o Nutshell Cooler não possui venda oficial nem certificação INMETRO confirmada no Brasil. A aquisição ocorre apenas por importação pessoa física, com custos adicionais de impostos (15% a 60%), frete internacional e prazo médio de 30 a 60 dias. O preço final estimado pode variar entre R$ 450 e R$ 850, sem garantia ou suporte local.
Também é importante esclarecer que, embora a fibra de coco seja um material natural, ela não é reciclada pelas cooperativas brasileiras. O descarte adequado depende de compostagem industrial ou reaproveitamento específico, enquanto coolers de plástico durável já contam com cadeias de reciclagem mais estruturadas no país.
“Estamos construindo uma marca que questiona a dependência de plásticos descartáveis e busca soluções inspiradas na natureza”, resume Tamara Mekler. Em 2026, porém, o produto segue como uma inovação conceitual relevante, mas ainda pouco acessível ao consumidor brasileiro médio.
Perguntas Frequentes sobre o Cooler de Fibra de Coco
O cooler de fibra de coco é vendido oficialmente no Brasil?
Não. Até janeiro de 2026, não há distribuidor ou loja oficial no país.
Ele é mais eficiente que um cooler plástico comum?
Em testes do fabricante, a eficiência térmica é semelhante ou superior, mas coolers plásticos duráveis disponíveis no Brasil também alcançam 24–48h de retenção com menor custo.
Vale a pena importar?
Depende da prioridade ambiental do consumidor. Financeiramente, coolers reutilizáveis de plástico vendidos no Brasil costumam oferecer melhor custo-benefício.
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