Brasil deve chegar a 1 GWh de baterias instaladas em 2026, mas ainda está distante do potencial

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Sistema de armazenamento de energia em baterias (BESS) em fazenda solar brasileira no cerrado

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Publicado em 28/05/2026 — Por Equipe Energia Ekko Green

O Brasil deve atingir 1 GWh de capacidade instalada em sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) ao longo de 2026. A projeção foi divulgada pelo pv magazine Brasil em 21 de maio e marca um avanço concreto do setor. Para ter noção do tamanho: 1 GWh de armazenamento equivale ao consumo diário de cerca de 70 mil residências brasileiras. Ainda é pouco perto do que o mercado global já movimenta, mas é um ponto de partida real.

A semana de 21 a 27 de maio reuniu três eventos que ajudam a entender onde o Brasil está e para onde vai: a projeção de 1 GWh, a pressão da ABSOLAR por ajustes tributários via REIDI, e a finalização do desenho do LRCAP pelo governo. Cada um desses movimentos puxa a mesma corda — mais armazenamento de energia para a rede elétrica brasileira.

O que é BESS e por que 1 GWh importa

BESS (Battery Energy Storage System) é um sistema de armazenamento de energia em baterias industriais. Ele capta a eletricidade gerada por fontes renováveis durante períodos de alta produção (sol forte ou vento intenso) e a libera quando a demanda aumenta ou a geração cai. É a peça que falta para que o Brasil aproveite melhor a matriz solar e eólica que já tem.

A marca de 1 GWh não cai do céu. Em maio, a Matrix Energia anunciou que dobrou sua capacidade BESS de 96 MWh para 250 MWh em operação — um crescimento de 160% em um único projeto, segundo o EcoGateway. Projetos como esse, somados à expansão de usinas solar com armazenamento, empurram o Brasil em direção à projeção do setor.

O mercado global de BESS, para comparar, já passa de 200 GWh instalados por ano, segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA). O Brasil está longe desse ritmo, mas a trajetória aponta na direção certa.

Sistemas BESS de armazenamento de energia instalados no Brasil em 2026

Por que o REIDI interessa a quem acompanha o setor

Em 22 de maio, a ABSOLAR enviou ao Ministério da Fazenda um pedido de ajuste no REIDI, o Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura. O objetivo é incluir projetos BESS no programa, que hoje já beneficia usinas de energia com suspensão de PIS e Cofins na compra de máquinas e equipamentos.

A lógica é direta. Um sistema de armazenamento de energia tem custo de capital alto. Parte desse custo são impostos sobre os equipamentos. Se o REIDI cobrir projetos BESS, o custo do megawatt instalado cai, o prazo de retorno do investimento reduz, e mais empresas entram no mercado. A ABSOLAR estima que essa inclusão poderia acelerar significativamente a contratação de novos projetos nos próximos dois anos.

O contexto regulatório tem peso aqui. O MME atrasou o primeiro leilão de baterias no Brasil, e o setor segue aguardando sinalização clara. O REIDI seria um incentivo por outro caminho: não depende de leilão para funcionar, só de uma portaria do Ministério da Fazenda.

O LRCAP e o que ele significa para baterias

O Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) é o principal instrumento que o governo brasileiro está finalizando para garantir potência firme ao sistema elétrico. A ideia é contratar capacidade que esteja disponível quando o sistema precisar, independente de sol ou vento. Baterias entram nessa conta.

Diferente de um leilão de energia (que compra quilowatts-hora gerados), o LRCAP compra disponibilidade. Para o BESS, isso é uma oportunidade: o sistema já tem a energia armazenada e entrega sob demanda. Se o desenho do leilão incluir especificações técnicas compatíveis com BESS, o mercado pode crescer muito além dos 1 GWh projetados para este ano.

O governo ainda está calibrando os detalhes. O setor acompanha com atenção se o LRCAP vai exigir tempo de resposta e capacidade de ciclos compatíveis com baterias de íons de lítio — as mais comuns no mercado hoje.

Quem já está construindo capacidade no Brasil

Além da Matrix Energia, outros movimentos confirmam que o setor não está parado. A WEG anunciou em fevereiro de 2026 a construção da maior fábrica de BESS do Brasil em Itajaí (SC), com investimento de R$ 280 milhões do BNDES e capacidade de 2 GWh por ano. O projeto ainda está em obras, mas é o tipo de comprometimento de longo prazo que o mercado precisava ver de um fabricante nacional.

No segmento residencial, o cenário muda. A barreira de custo ainda é alta, e o retorno depende muito do perfil de consumo de cada família. Uma análise detalhada sobre se a bateria solar residencial vale a pena mostra que a conta fecha melhor para quem tem tarifa de energia alta e consumo noturno elevado.

O que o leitor deve acompanhar nos próximos meses

Três eventos vão definir o ritmo do mercado BESS no segundo semestre de 2026:

  • Portaria do REIDI: se o Ministério da Fazenda incluir BESS no regime, os projetos ganham viabilidade financeira mais rápido. Acompanhe as publicações do Diário Oficial.
  • Edital do LRCAP: o desenho final do leilão vai mostrar se baterias realmente têm espaço competitivo frente às térmicas. Os parâmetros técnicos são o ponto crítico.
  • Projeção de capacidade instalada: a marca de 1 GWh ao longo de 2026 ainda é uma estimativa. O número real vai depender de quantos projetos entrarem em operação comercial até dezembro.

O caminho está se formando. Não é rápido, mas a direção está certa.

Perguntas frequentes sobre baterias e armazenamento de energia no Brasil

O que é BESS e como funciona no sistema elétrico brasileiro?

BESS (Battery Energy Storage System) é um sistema de armazenamento de energia em baterias industriais. Ele capta eletricidade gerada por fontes renováveis durante momentos de alta produção — como sol forte no meio do dia — e a libera quando a demanda aumenta ou a geração cai. No sistema elétrico brasileiro, o BESS ajuda a compensar a intermitência de usinas solar e eólica, reduzindo a necessidade de acionar termelétricas nos horários de pico.

Qual é a capacidade instalada de baterias no Brasil em 2026?

O setor projeta que o Brasil deve atingir 1 GWh de capacidade instalada em BESS ao longo de 2026, segundo o pv magazine Brasil (maio/2026). Esse número é resultado de projetos como o da Matrix Energia, que dobrou sua capacidade para 250 MWh, e de usinas solares que adicionam armazenamento às suas operações. Para comparar, o mercado global já ultrapassa 200 GWh instalados por ano.

O que é o LRCAP e por que ele importa para o mercado de baterias?

O LRCAP (Leilão de Reserva de Capacidade) é um instrumento regulatório que o governo brasileiro está finalizando para contratar potência firme ao sistema elétrico. Diferente de leilões de energia que compram geração, o LRCAP compra disponibilidade. Sistemas BESS podem participar porque armazenam energia e a entregam sob demanda. Se o edital final incluir parâmetros técnicos compatíveis com baterias, o leilão pode ser o catalisador para um crescimento expressivo do mercado BESS no Brasil.

O que é o REIDI e como ele pode beneficiar projetos de armazenamento de energia?

O REIDI é o Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura, que suspende PIS e Cofins na compra de máquinas e equipamentos para projetos de infraestrutura. A ABSOLAR pediu ao Ministério da Fazenda em maio de 2026 que projetos BESS sejam incluídos no regime. Se o pedido for atendido, o custo de instalação de baterias cai, tornando mais projetos financeiramente viáveis sem depender de leilão específico.

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