Atualizado em: 14/01/2026
Já imaginou como seria aproveitar a energia das correntes marítimas, uma das maiores forças da natureza? As turbinas de maré são uma das principais tecnologias da energia maremotriz e funcionam como “eólicas submersas”, convertendo a energia cinética das correntes de maré em eletricidade.
É importante separar o que já é comprovado do que ainda está em desenvolvimento no Brasil: a tecnologia é real e já opera em projetos no exterior, mas no Brasil (até 2026) ela está em P&D/pilotos, sem oferta comercial ampla e com licenciamento ambiental e conexão à rede ainda como etapas críticas.
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Como Funcionam as Turbinas de Maré?

As turbinas de maré seguem um princípio parecido com o de moinhos e turbinas modernas: um rotor gira quando há fluxo de água e esse movimento aciona um gerador. A diferença é que, aqui, o “vento” é a corrente de maré (fluxo de água que acelera e desacelera de forma cíclica ao longo do dia).
Esses equipamentos são instalados submersos (no fundo do mar ou em estruturas fixas/flutuantes), em áreas com correntezas adequadas e profundidade compatível. Na prática, é comum ver o termo “turbina de maré” sendo usado para turbina de corrente de maré (tidal stream), que é diferente de usinas por barragem.
Em projetos de energia maremotriz com turbinas, o ponto central é medir bem o recurso: velocidade da corrente, janela de maré, profundidade, tipo de fundo e restrições ambientais. É isso que define potência, número de unidades, cabos, subestação e o custo total do sistema.

Um benefício técnico relevante é a previsibilidade: as marés são cíclicas, então é possível planejar a geração com antecedência usando modelos e dados oceanográficos. Isso não elimina variações (correntes mudam com a janela de maré, batimetria e clima), mas permite uma programação mais confiável do que fontes que dependem de condições instantâneas.
As turbinas de maré também se destacam pela estabilidade do recurso quando comparadas a outras renováveis intermitentes. Ao contrário da energia eólica, que depende de vento, e da solar, que depende de sol, as turbinas dependem de correntes de maré (comportamento cíclico). Em regiões do Nordeste, por exemplo, há registros de amplitude de maré na faixa de 4 a 6 metros em áreas costeiras, o que ajuda a formar correntes mais fortes em pontos específicos.
Contexto no Brasil (2025-2026)
No Brasil, a energia maremotriz com turbinas de corrente está principalmente em pesquisa e prototipagem. Iniciativas citadas em 2025-2026 incluem desenvolvimento de turbina submersa voltada a testes e aplicações em regiões costeiras/isoladas, além de debates técnicos em ambientes acadêmicos (como a Coppe/UFRJ) sobre prioridades offshore. Até 2026, não há mercado maduro com compra “de prateleira” e integração ampla ao SIN; o avanço depende de medições de recurso, engenharia local, cadeia de suprimentos e licenciamento (IBAMA e órgãos correlatos).
A Maior Turbina de Maré do Mundo
Em vez de uma única “maior turbina”, o cenário internacional hoje é marcado por projetos em escala que combinam várias turbinas para chegar a potências relevantes. Um exemplo frequentemente citado na imprensa é o Mersey Tidal Power (Reino Unido), com 700 MW planejados e 28 turbinas no conceito divulgado. Como se trata de um projeto em fases, os números são de planejamento e podem mudar conforme licenças, engenharia e financiamento.
Confira neste vídeo uma turbina de corrente de maré em operação (exemplo visual de como essas máquinas funcionam no mar):
Quanto Custam as Turbinas de Maré
O custo de projetos com turbinas de maré varia muito com o local (profundidade, distância da costa, tipo de fundo), a infraestrutura elétrica (cabos, subestação, conexão) e as exigências de licenciamento e monitoramento ambiental. Por isso, no Brasil (2026), ainda não existe uma “tabela de preço” consolidada para compra e instalação comercial.
Para ter uma ordem de grandeza, estimativas internacionais divulgadas para turbinas e projetos maremotrizes indicam custo instalado na faixa de US$ 4–6 mil por kW. Convertendo em valores aproximados de 2025/2026, isso pode ficar em torno de R$ 22 mil a R$ 33 mil por kW (sem considerar impostos, frete, integração local e riscos de engenharia). Na prática, uma unidade na casa de 1 MW pode demandar um CAPEX da ordem de R$ 10 a R$ 20 milhões em estimativas internacionais, dependendo do arranjo e do escopo.
Payback/ROI: sem dados públicos consolidados para projetos comerciais no Brasil, o mais honesto é trabalhar com faixas de referência internacionais. Em aplicações globais em águas rasas, aparecem estimativas de payback na faixa de 12 a 15 anos, mas isso depende do preço da energia, fator de capacidade, OPEX (manutenção, bioincrustação, corrosão) e custos de conexão. Evite assumir números fixos sem um estudo de viabilidade do local.
Projeto Atlantis

A companhia SIMEC Atlantic Energy (conhecida por projetos como o complexo de corrente de maré de MeyGen, no Reino Unido) é um dos nomes mais citados quando o assunto é turbina de corrente de maré. Ainda assim, isso não significa disponibilidade imediata no Brasil: em 2026, a cadeia local e a padronização regulatória para maremotriz ainda estão em formação.
Sobre instalação e manutenção: alguns projetos internacionais usam conceitos de bases e módulos para reduzir tempo de operação no mar, mas o tempo exato (por exemplo, “instala em 45 minutos”) depende do modelo, embarcação, mar, janela de operação e do método de fundeio/base. Para decisões técnicas, trate esse tipo de número como caso específico, não como regra.
Outra característica que chama a atenção é a vida útil típica: em projetos internacionais, fala-se em 20 a 25 anos para o sistema, com inspeções e manutenções periódicas. No ambiente marinho brasileiro, o desafio costuma ser o biofouling (incrustação biológica) e a corrosão, que podem elevar o OPEX e exigem engenharia de materiais e estratégia de manutenção bem definidas.
FAQ rápido (2026)
1) Turbina de maré é a mesma coisa que barragem maremotriz?
Não. Neste artigo, “turbina de maré” se refere principalmente a turbina de corrente de maré (submersa). Barragens maremotrizes usam desnível/represamento e têm outro impacto ambiental e outra engenharia.
2) Esse modelo é vendido no Brasil hoje?
Até 2026, não há um mercado consolidado com venda e instalação comercial ampla de turbinas de corrente de maré no Brasil. O que existe são iniciativas de P&D e pilotos, além de possíveis importações sob projeto (engenharia sob medida).
3) Onde a energia maremotriz com turbinas tende a fazer mais sentido no Brasil?
Em geral, em trechos com corrente forte e previsível e com logística possível (instalação/manutenção), como pontos do Nordeste (amplitudes elevadas em áreas específicas) e aplicações voltadas a comunidades isoladas em regiões costeiras onde o diesel é caro e a geração precisa ser mais previsível.
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